Desde muito cedo tive contato com os textos.Brinquei com as palavras,fiz e refiz textos imaginários,pintei o sete,desenhei o oito e tudo mais que uma criança precisa para começar a gostar de ler.Sou filha de uma professora e de um patrulheiro rodoviário,mas antes de tudo,sou filha de pessoas que me ensinaram desde cedo o valor da palavra...
Cresci em meio a revistas,livros,música,artes plásticas,cantigas,hinos religiosos e "histórias de trancoso"como diz a minha avó... e assim fui caminhando entre o que lia e o que ouvia e via...
Explorei desde cedo todos os sentidos...Lembro bem o cheiro do lápis de cera dentro da minha mochila no meu primeiro dia de aula na Escola Manuel Leite,lembro da farda xadrez que minha mãe tinha feito com tanto carinho,lembro da minha professora Fátima com aqueles imensos olhos verdes...lembro de tudo com todos os detalhes...
Tem um fato muito curioso na minha vida de estudante ou de "escritora de palavras":durante algum tempo escrevi meu nome de forma errada...escrevia assim:Maiza...
Um dia bisbilhotando uma pasta entupetada de documentos da família me deparei com meu registro de nascimento e lá estava estampado Maysa...Não me reconheci ali...achei algo estranho...não era eu...ou era???? E fui indagar para minha mãe o motivo do equívoco...eu queria me reconhecer nesse novo nome.Mamãe deu uma deculpa esfarrapada,que nem lembro mais e eu tive de me acostumar com aquela nova grafia do meu nome...
Sempre tive orgulho de me chamar assim.Lá em casa além de muitas outras coisas aprendemos a amar a pessoa que nós somos...
No Jardim da Infância,era assim que chamávamos a Educação Infantil,a gente era estimulado a fazer aquelas leitura de imagens que o programa Mobral usava.Tinha um sapo enorme e o nome embaixo SAPO...eu lia tudo,mas só atravé s das imagens...e adorava aquele joguinho.
Nas séries iniciais fui uma boa aluna,assídua,participativa e cheia de idéias doidas,coisas de criança...
Na escola lia as cartilhas e os livros,em casa lia Tio Patinhas,Mickey,Mônica e Zé carioca,eram estes os presentes trazidos pelo meu pai quando vinha de Recife.Em Salgueiro não havia revistaria esempre que meu pai podia,nos presenteava com esses "mimos" e com maçãs cheiros e deliciosas...
Até hoje quando sinto o cheiro de maçã,lembro das madrugadas em que procurávamos, com euforia, os presentes dentro daquela mala vermelha com aroma de maçã...
Também líamos muito os livretos de oração que a minha avó insistia em nos ensinar...as ladainhas,os "responsos" de Santo Antonio e muitas outras leituras que pudessem nos deixar "santos".
Meus avós paternos eram comerciantes e depois doceiros e entre uma mexida no tacho e uma olhada nas nossas tarefas de casa, eles também nos ensinavam a cantar músicas de seresta...
Era muito bom!Aprender a cantar e a compreender o que estávamos cantando era a nossa aula de interpretação e compreensão de textos.Ali era anossa oficina de leitura e escrita.Já na escola,os textos não eram tão degustados...eram muitas vezes amargos,tristes e sem nenhum encanto.
Li o primeiro livro paradidático na quinta série.Era "O Tronco do Ipê"...ñ lembro muita coisa dele,mas lembro que era chique na época poder comprar um livro paradidático e ainda fazer a leitura do mesmo,com direito a ficha de leitura e tudo.
Depois vieram outros,comprei todos,li alguns,mas fiz todas as fichas de leitura.Não me pergunte como,mas fiz.
Daí segui para o Ensino Médio sempre fazendo alternações entre a leitura indicada pela escola e a leitura de casa que sempre foi mais prazerosa.Lia todas as revistas que meu pai comprava:Manchete,Fatos e Fotos,Veja... até Globo Rural.
Nas redações sempre fui elogiada,não sei se pela ignorância dos professores ou pela grande oferta de leitura que recebi,mas deu certo e no primeiro vestibular que fiz para o Curso de Letras,tive uma ótima classificação.
Na faculdade li outros livros clássicos e era expert em transformá-los em cordel.Fiz isso com o Guarani.hoje após estudos do Gestar tenho a compreensão de que não fazia cordel,apenas fazia a transposição de gêneros,mas valeu a intenção,ficou legal.
Hoje quando vejo as novas formas de trabalhar a língua,percebo que não estou aqúem dos demais porque esta prática já era comum nas minhas aulas e me encho de orgulho.
Adoro ler,adoro ler tudo.Dos poemas de Ferreira Gullar aos de Cora Coralina e outros tantos...De Guimarães Rosa a Paulo Coelho e muito mais...
Eu gosto de palavras...
Eu to vendo, viu??? (rsrs)
ResponderExcluirJá viu meu blog esses dias???
Faltam só os relatórios.
Tamar